Resenha: O Presente do Meu Grande Amor, org. de Stephanie Perkins - Jurista Geek

29/12/2020

Resenha: O Presente do Meu Grande Amor, org. de Stephanie Perkins

O presente do meu grande amor, org. Stephanie Perkins


Oi pessoal, como foi o Natal de vocês? Apesar do cenário pandêmico que estamos vivendo em virtude do Covid-19, eu espero que a magia dessa época tão linda tenha preenchido o coração de todos vocês e de seus familiares! Hoje eu lhes trago a resenha do livro O presente do meu grande amor, uma coletânea com contos de vários autores, com organização da Stephanie Perkins. Essa obra faz parte do meu projeto Natal Literário do presente ano, em que eu selecionei três obras (clique aqui para conferir) que possuem como plano de fundo a época natalina para realizar a leitura durante o Natal. 


Na obra em questão, temos doze contos escritos por autores bem conhecidos do público jovem. Tendo como escopo a diversidade, as histórias apresentam personagens de diferentes etnias, religiões, culturas e orientação sexual. Há, também, elementos de fantasia em alguns dos contos, enquanto  em outros encontramos ficção realista, bem como os clichês de Natal que aquecem o nosso coração. Em suma, pode-se dizer que O presente do meu grande amor é um cardápio bem diversificado de young adult, visando agradar os mais variados tipos de leitor com histórias calorosas sobre o espírito natalino. Antes de dar a minha opinião sobre a obra, resolvi fazer uma pequena sinopse de cada um dos contos para que a descrição do livro não fique muito enxuta e vocês possam entender do que as histórias tratam (sem spoilers, claro):


Meias-noites, de Rainbow Rowell: nesta história, conhecemos Mags e Noel, amigos que sempre passam a virada do ano juntos na casa de Alicia, uma amiga em comum. O conto mostra a evolução da relação de amizade dos protagonistas a cada novo ano, junto à mudança da escola para a universidade.


A dama e a raposa, de Kelly Link: essa é o primeiro conto da coletânea que mistura fantasia e realidade. Aqui, Miranda é a protagonista, que passa o Natal de todos os anos na casa de sua madrinha, Elspeth Honeywell, que faz parte de uma família de artistas. No início da história, Miranda e Daniel (filho de Elspeth) possuem onze anos de idade, e o conto vai mostrando, ano após ano, a comemoração de Natal na casa dos Honeywell sob o ponto de vista de Miranda. Esta, no início da história, conheceu um estranho misterioso que, sempre que neva no Natal, aparece para admirar a casa. Usando um casaco com uma raposa estampada, ele acaba por despertar a atenção de Miranda e, assim, ela o espera a cada Natal. 


Anjos na neve, de Matt de la Peña: Shy é um garoto de San Diego que entrou na universidade em Nova Iorque. As coisas, porém, não vão muito bem e, para conseguir dinheiro, aceitou passar o Natal sozinho na casa de Mike, enquanto este viajava com sua esposa, para cuidar de sua gata de estimação, Olive. Por estar sem dinheiro e pelo fato de Mike só poder pagá-lo quando voltar da viagem, Shy acaba nem tendo o que comer durante os dias em que está cuidando de Olive. Seu pai, em San Diego, acredita que as coisas estão dando certo para o filho em Nova Iorque, e é assim que Shy quer que permaneça. Tudo muda quando Haley, uma das vizinhas de Mike, perde o voo para casa e pede a ajuda de Shy quanto a um problema com os canos de seu apartamento. 


Encontre-me na Estrela do Norte, de Jenny Han: Natty, a única humana que vive no Polo Norte, foi adotada pelo Papai Noel quando era ainda um bebê, sendo criada por ele como uma filha, convivendo com os seus duendes etc. Natty já não é mais criança, mas todos ainda a tratam assim pelo modo como o seu pai a vê. Ela acaba se apaixonando por Flynn, um dos duendes, e deseja ansiosamente que ele a convide para o Baile da Neve. O que acontece, porém, é que ele já está praticamente comprometido com outra de sua espécie, Elinor, juntando o fato de que um duende não pode se relacionar com uma humana. Há, porém, um garoto que Natty conheceu quando acompanhou seu pai na entrega dos presentes, mas ninguém acredita nisso em virtude do seu hábito de inventar histórias para chamar atenção.


É um milagre de Yule, Charlie Brown, de Stephanie Perkins: Durante todo o mês, Marigold visita a loja de árvores dos Drummond. Sua intenção, porém, não era comprar uma árvore de Natal (ela até queria, mas precisava economizar), mas convencer o vendedor da loja, North, a lhe fazer um favor. Sem saber como fazer o pedido inusitado, Marigold acaba sendo convencida a comprar uma árvore no estilo da árvore de Natal do Charlie Brown (Peanuts), mas ela esqueceu que não tem nem ao menos como carrega-la sozinha até o seu apartamento.


Papai Noel por um dia, de David Levithan: Connor pede ao seu namorado que se vista de Papai Noel para fazer uma surpresa para sua irmã caçula, Riley, para que ela continue acreditando na figura que traz presentes no Natal para as crianças que se comportam bem. Quem incorporava esse papel era o seu pai, que acabou falecendo. Mesmo sendo judeu, o namorado de Connor não consegue lhe dar um "não" e acaba aceitando invadir a sua casa e fazer a magia do Natal permanecer viva no coração da pequena Riley.  


Krampuslauf, de Holly Black: o Krampusnacht, ao contrário do que realmente é, será celebrado em Fairmont de forma beneficente e não amedrontadora. De acordo com lendas de várias regiões do mundo, Krampus é uma criatura mitológica, filho de Hel, mais antigo do que o diabo, e acompanha São Nicolau durante durante o Natal, sendo conhecido como the Christmas devil (o diabo do Natal). Hanna possui duas grandes amigas, Wren e Penny. Esta namora com Roth, um garoto riquinho e metido que que namora outra garota extraoficialmente: Silke. Ou, talvez, Penny seja a namorada extraoficial, porque ele apresenta Silke como sua namorada para todos. Além de afirmar para ambas, particularmente, que ele só namora com uma delas, ele apresenta Silke como sua namorada para todos. Quando Hanna e suas amigas o encontram durante a Krampusnacht apresentando Silke para todos como a sua namorada, ela resolve montar um plano de vingança contra Roth para colocar as namoradas frente à frente. Para tanto, ela organiza uma festa de ano novo no trailer de sua avó falecida. Ao convidar o garoto vestido de Krampus para a festa, Hanna não esperava que ele pudesse mudar o rumo da história.


Que diabo você fez, Sophie Roth?, de Gayle Forman: Sophie é uma garota que, desde que entrou na faculdade, coleciona erros. Ela os chama tais momentos como o título do conto e está prestes a vivenciar mais um "que diabo você fez, Sophie Roth?". As aulas já haviam terminado, mas para aproveitar o desconto nos voos de volta para Nova Iorque, ela resolve viajar na semana seguinte. Por não ter nada para fazer durante esse tempo, ela resolve ir a um coral e, ao resmungar mais alto do que o planejado, acaba sendo notada por uma determinada pessoa.


Baldes de cerveja e Menino Jesus, de Myra McEntire: Vaughn está terrivelmente encrencado. Depois de colocar fogo no celeiro da Igreja em uma de suas brincadeiras, o pastor lhe faz uma proposta para que ele não fosse parar em um reformatório: abrir mão do seu feriado de Natal para ajudar a Igreja a remontar a peça teatral e, em troca, o acontecimento é apagado dos registros. Uma nevasca e outro evento acabam ameaçando anos de tradição e a encenação será muito mais do que apenas uma peça para Vaughn. 


Bem-vindo a Christmas, Califórnia, de Kiersten White: Christmas é uma cidade tão pequena na Califórnia que nem no Google está presente. Maria vive ali com sua mãe e seu padrasto, que trabalham na mina, enquanto ela trabalha no Christmas Café. A personagem, porém, não vê a hora de poder sair daquela cidade e junta todas as suas economias para isso. Quando o cozinheiro da cafeteria falece, um forasteiro, Ben, acaba sendo contratado e algo mágico acontece.


Estrela de Belém, de Ally Carter: em Chicago, cinco dias antes do Natal, Hulda não consegue embarcar para Nova Iorque, pois sua passagem não é para lá. Apesar disso, se for necessário, ela poderia comprar uma nova passagem. Liddy, cansada de sua própria realidade, sugere trocar sua passagem com Hulda, uma estranha com um destino para qualquer lugar. Assim elas o fazem e Liddy acaba desembarcando em Oklahoma, onde reside Ethan, namorado de Hulda, e sua família. Mesmo sabendo que não se trata de sua namorada, Ethan a apresenta para toda a família e tudo o que Liddy pensava até o momento acaba se transformando.


A garota que despertou o sonhador, de Laini Taylor: na Ilha das Penas, em um mundo repleto de desigualdade e pobreza, Neve é uma garota que foi levada para ali doze anos antes, traficada assim como as outras jovens rendeiras que ali tentam sobreviver. Órfã da peste que tomou conta da Colônia Fracassada, ali ela vive uma vida precária, cuja úncia saída é ser cortejada por um cara que possua um emprego e que seja de bem. O problema é que o pretendente é o reverendo Spear, que já havia enterrado outras esposas jovens. Neve decide que não se unirá a um homem insuportável como o reverendo e resolve apelar para os antigos deuses daquele mundo. 


"Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança".


Chegamos, então, à minha parte preferida de cada resenha: a minha opinião 😂. Eu adorei a maioria dos contos, e alguns se destacaram, como Anjos na Neve, do Matt de La Penã, e É Um Milagre de Yule, Charlie Brown, da Stephanie Perkins. Esses foram, sem dúvidas, os meus favoritos e eu fiquei com um gostinho de quero mais, desejando para que as histórias continuassem durante todo o livro. Encontre-me na Estrela do Norte, da Jenny Han, também se destaca e é muito fofo (eu conseguia imaginar a fofura dos personagens e sorrir enquanto lia). O que mais nos faz refletir é, sem dúvidas, o do Matt de La Peña, mostrando um personagem bem real e tratando questões como família e passado, assim como a importância dos gestos simples feitos de coração. Apesar de todos os contos possuírem calorosas e bonitas mensagens, alguns não me agradaram tanto e eu fiquei ansiando para que acabassem logo, como o da Holly Black e o da Myra McEntire. Eles possuem pontos fortes, claro, mas não me prenderam tanto quanto os outros. 


Um dos pontos positivos da obra é que o estilo de escrita das histórias converge, o que é, ao meu ver, importante em uma coletânea de contos que possuem um mesmo plano de fundo (apesar deste ser abordado de formas diferentes de acordo com as características dos personagens). A obra aparenta ter sida muito bem revisada e também não me recordo de ter encontrado erros ortográficos. A leitura flui rápida e facilmente, e garante ao leitor sentimentos que vão da emoção ao riso. 


Por fim, posso afirmar que ler O presente do meu grande amor durante o Natal foi uma experiência maravilhosa, pois manteve em mim acesa a chama que essa época tão especial me traz. Depois de um ano tão turbulento como 2020, ler algo que mantêm a esperança viva em nossos corações é fundamental. Foi uma ótima oportunidade, também, para conhecer o trabalho de autores que eu ainda não havia tido contato com sua escrita, como Matt de La Peña e Stephanie Perkins, que, com certeza, terão alguma de suas obra dentros das minhas futuras leituras. 


O Presente do Meu Grande Amor | org. Stephanie Perkins

Intrínseca | 352 p. | 2014

16 comentários:

  1. Ei, tudo jóia? Eu já tinha ouvido falar dessa ação que todos (as) esses (as) escritores (as) fizeram. Eu acho super interessante ter a perspectiva de um conto natalino pela escrita de autores(as) tão incríveis. Eu não li nenhum desses contos, mas eu fiquei curiosa, confesso. Mas natal tem todos os anos, vou deixar a leitura deles para o próximo ano! Mas que bom que o conto te agradou! Feliz 2021 e boas festas!

    Books House

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  2. Amo esses livros com compilados de diversos contos e com autores diferentes.
    Achei bacana a sinopse de Que Diabo Você Fez, Sophie Roth?, até porquê, sou fã da Gayle Forman.
    Fico feliz que tenha tido uma boa experiência geral com o livro, é bem legal quando a gente lê um conto tão bom que começa a desejar que tivesse um livro só dele, né?! Haha. E é como você disse, contos assim servem pra termos uma noção da escrita de alguns atores e aguçar a vontade de ler mais obras deles.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  3. Oie, tudo bem ?
    Gente, eu não sabia que esse livro era com vários autores, as vezes desconfio que estou vivendo em outro planeta rsrs.
    O fato é que tem autores que são incríveis e fico pensando em como os contos de Natal devem ser pela perspectiva deles. Adoro obras que mexem com as nossas emoçoes e nos fazem rir e chorar.
    Beijos
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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  4. Oi, Gleydson!
    Minha mãe leu esse livro nesse Natal e ela gostou bastante da leitura, o que é um feito, já que ela não é a maior fã de histórias YA. Lembro dela falar que o seu favorito tinha sido o da Rainbow Rowell e que dificilmente outro superaria. Os que ela menos gostou foram os que tinham um quê de fantasia, já que também não é um gênero que ela curte muito.
    Já eu não sou muito fã de livros de contos, mas entendo que é uma ótima porta de entrada para autores que a gente não conhece. Quem sabe esse ano eu não dou uma chance?
    Adorei a sua resenha.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2020/12/melhores-leituras-de-2020.html

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  5. Li essa obra ano retrasado e gostei demais, cada conto mexe muito com nossas emoções, é propício para essa época do ano. São de aquecer nosso coração e alma.

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  6. Olá, tudo bem? Eu sempre tive curiosidade com essa antologia pois tem nome de muitos autores que gosto. Ainda não tive oportunidade de ler, mas sempre está na lista de desejados. Adorei o que disse sobre cada conto, e curiosa sobre o fofo da Jenny Han. Adorei a resenha!
    Beijos

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  7. Quando lançou esse livro, fiquei com muita vontade de embarcar. Acho que contos são ótimas oportunidades para conhecermos um pouco da escrita de cada autor. Aliás, a sinopse da história da Jenny foi a que mais me chamou atenção! No Natal desse ano, vou colocar na minha lista. :) E, por aqui, eu li dois contos natalinos: "Contrato de Natal" e "A magia do Natal na loja de brinquedos". Os dois são bem fofos e acho que vale bem a pena! Um toque de magia e esperança é sempre bem-vindo! ♥

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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  8. Olá,
    antes de tudo quero lhe parabenizar pelo seu texto, sua escrita é bem agradável, é do tipo que faz quem lê não querer parar. Quanto ao livro, parece ser maravilhoso, ainda mais sendo tão diversificado, certamente agrada a maioria dos públicos. Eu já o havia visto por ai desde que foi lançado mas nunca me interessei o bastante ao ponto de pegá-lo para ler, acho que pela temática, eu até assisto filmes natalinos, mas livro eu li apenas um em toda minha vida até aqui. De qualquer forma vou guardar com carinho essa dica tão efusiva para algum momento no futuro quando o desejo de algo do tipo surgir.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  9. Oi, tudo bem?
    Eu cheguei ver essa coletânea pela internet, existe uma sobre o verão também, não é?
    Amei a escolha de autores e fiquei muito curiosa como pode ter sido desenvolvido cada uma dessas histórias, fiquei curiosa. Colocarei na minha lista.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

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  10. Oii,
    Sua resenha foi bem completa e muito detalhada, deu um nó na minha cabeça em certos momentos, porque eu já li o livro a uns 3 ou 4 anos atrás e não lembrava de muita coisa. Mas amei relembrar tudo, através das suas palavras.

    Beijoss, Enjoy Books

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  11. Oi, tudo bem?
    Estou chocada que tem um conto da Holly Black nesse livro e eu não sabia. Confesso que nunca tive muita curiosidade de ler, mas se tem algo escrito pela Holly eu já quero. Uma pena que você não tenha curtido o conto dela, mas que bom que você gostou tanto de outros. Amei a resenha e vou anotar a dica.
    Beijos!

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  12. Oi Gleydson!
    Vou ser sincera com você não leio muitos contos de natal, não sei porque talvez seja por falta de hábito vai saber kkk. Eu adorei ler sua resenha e fiquei curiosa com alguns dos títulos, sua apresentação sobre cada um me deu muito a imaginar...como seria o conto. Obrigado pela dica, parabéns pela resenha, abraços!

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  13. OI, Gleydison!
    Eu gosto de livros com contos de Natal, principalmente quando consigo ler na época! rsrs Gostei da sua resenha, acho que de Natal mesmo eu só li Deixe a Neve cair!
    Bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  14. Eu gosto de livros de contos de natal , acho que traz uma paz no periodo do ano necessaria.
    Eu ja li alguns nacionais e Deixe a Neve cair, quem sabe no natal desse ano eu consiga ler esses.
    Bjs Sara

    Todas as Coisas

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  15. Olá,
    Apesar de sempre ver esse livro no Natal e sempre dizer que vou ler, ainda não fiz isso. Gostei muito de conhecer um pouco mais dos contos e os autores participantes, já que nunca tinha me atentado a quem participou do livro.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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